
A atuação da Vale S.A. voltou ao centro de críticas em Canaã dos Carajás após denúncias de falhas de comunicação e falta de transparência no processo seletivo do Programa Jovem Aprendiz Sossego – Vale Metais Básicos & Terminais 2026.
O processo foi iniciado em 15 de dezembro de 2025 e mobilizou centenas de jovens, em sua maioria estudantes de escolas públicas e de famílias de baixa renda. A seleção era vista como uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho.
Após meses de etapas, candidatos relataram que não receberam retorno oficial sobre o resultado final. Segundo os participantes, o silêncio ao longo das fases finais gerou frustração e incerteza.
Alguns jovens afirmaram que deixaram de buscar outras oportunidades por aguardarem uma possível convocação. Eles relatam que acompanharam e-mails e canais informados pela empresa, mas não obtiveram qualquer resposta.
Um dos candidatos ouvidos pela reportagem informou que chegou até a fase de entrevista com gestores e, mesmo assim, não recebeu retorno. Ele destacou que a principal reclamação não é apenas o resultado, mas a ausência de comunicação clara durante o processo.
Diante da situação, surgiram questionamentos sobre o compromisso social da empresa com o município. Canaã dos Carajás abriga projetos estratégicos da mineradora, como a Mina do Sossego e o S11D, considerado um dos maiores empreendimentos de mineração do mundo.
O processo seletivo contou com apoio da empresa Serhum Consultoria e Assessoria em Recursos Humanos, responsável pelas etapas de recrutamento.
Posicionamento da empresa
Procurada pela reportagem, a Vale informou, por meio de nota, que o processo seletivo foi concluído dentro do cronograma previsto. Segundo a empresa, 67 jovens foram selecionados e já iniciaram aulas teóricas no Senai, em Canaã dos Carajás.
A mineradora afirmou ainda que todas as comunicações foram realizadas por canais oficiais e reforçou o compromisso com a transparência e o respeito aos candidatos.
Repercussão entre candidatos
Apesar do posicionamento, participantes contestam a versão apresentada. Candidatos ouvidos pela reportagem afirmaram que não receberam retorno, mesmo após avançarem nas etapas finais.
Segundo os relatos, a ausência de comunicação gerou desconfiança e aumentou a insatisfação entre os jovens.
A principal crítica está relacionada à falta de clareza e previsibilidade no processo seletivo. Para os participantes, a ausência de retorno oficial compromete a credibilidade da seleção.
Cobrança por transparência
A situação ampliou a cobrança por mais transparência e responsabilidade na condução de programas voltados à juventude local.
A discussão vai além do resultado final e se concentra na forma como o processo foi conduzido. Para os candidatos, a falta de comunicação adequada impactou diretamente o planejamento pessoal e profissional dos participantes.
O caso reforça o debate sobre o papel social de grandes empresas que atuam na região e a necessidade de alinhamento entre discurso institucional e prática.
Da Redação RedeTV Karajás, com informações Carlos Magno – Jornalista (DRT/PA 2627)